Hoje é um daqueles dias que tenho três trabalhos pra digitar, vinte capítulos pra ler e passar o dia no ambulatório com duas aulas depois pra assistir. Hoje é um daqueles dias que não tive aula de manhã para me organizar quanto à isso, mas preferi dormir e sonhar uma vida fora dessa, uma realidade paralela. Hoje é desses dias que eu fico pensando nas coisas que temo que me aconteça caso eu não consiga sequer levantar desse abismo-cama que me finquei. Hoje eu pensei em tudo que fiz. E nesse tudo não cabe meus erros que medem mais do que vivo. Errei pelo lirismo e imaturidade de levar as coisas. Deixei pra depois o que deveria ter feito antes até me atolar, como sempre fazemos, nós, a maioria. Somado isso, divago tudo em poesia. Quando deveria catalogar e me livrar.
Numa dessas manhã que excepcionalmente não teve aula, acordo como se fosse um parto ruim. não sei se é o cansaço dos frenéticos dias, peso pela desordem e atraso nos estudos ou se é pelo meu torpe pedaço amargo de mim. sem qualquer tipo dessas análises, volto a dormir. me acolho e embrulho pequena no cobertor-útero. quero voltar à minha condição fetal e continuar sonhando, sem ter que viver. de repente, acabou-se a manhã e parto ruim, sou quase um aborto. Minha cama-útero é quase uma masmorra. Estou colada e fincada no fundo do poço-cama.
dessa vez certo. queria que o tempo simplesmente parasse para eu poder estudar e desafogar meu desespero. queria que o tempo voltasse para eu simplesmente nunca ter sido uma bomba. mas quando o sinto como se ainda estivesse presa dentro de mim. só preciso esquecer certas cicatrizes que me engole seco e voltar à rotina frenética. não ser qualquer tipo de gente e como semi-deus, ser intocável aos dias de parto difícil. mesmo estando sempre farta. ser uma semi-deusa para engolir meu fardo.
Bem nesse dia, com muitas coisas pra fazer e nada feito, penso. Penso quando deveria estar terminando a conclusão do trabalho de oftalmo. Penso quando deveria estar estudando piolho. E ao invés de digitar meus afazeres, digito meus pensamentos. Como se não bastasse todos meus erros, continuo errando com essa consciência de que não deveria errar.
Fiz e faço torto. Este não é o melhor de mim. Mas como levar a diante as obrigações quando se tem um coração pendente? Como seguir ladeira à cima, quando meu próprio peso de ser me carrega pra baixo seguindo a lógica da gravidade?
Fazer medicina com um coração que sente e sabe que sente demais não é a opção mais fácil de ser feliz. Então, com um quê de revolta, começo a entender os semi-deuses. São só vestes. uma fantasia para lidar com os fatos. de semi-deusa, não me visto. embora fosse uma boa alternativa. não me visto porque sou fraca e fantasias demandam forças, porque são mais pesos.
Apenas queria minha mãe por perto com seu cheiro de hidratante da natura, me trazendo um chá de erva-cidreira e me dando os conselhos que nunca se encaixam. Apenas queria um tempo para me recompor e tentar ser mais forte, mas daqui uma hora minha vida recomeça. E não tenho tempo para me consertar. Meus problemas serão os néfrons.
Numa dessas manhã que excepcionalmente não teve aula, acordo como se fosse um parto ruim. não sei se é o cansaço dos frenéticos dias, peso pela desordem e atraso nos estudos ou se é pelo meu torpe pedaço amargo de mim. sem qualquer tipo dessas análises, volto a dormir. me acolho e embrulho pequena no cobertor-útero. quero voltar à minha condição fetal e continuar sonhando, sem ter que viver. de repente, acabou-se a manhã e parto ruim, sou quase um aborto. Minha cama-útero é quase uma masmorra. Estou colada e fincada no fundo do poço-cama.
dessa vez certo. queria que o tempo simplesmente parasse para eu poder estudar e desafogar meu desespero. queria que o tempo voltasse para eu simplesmente nunca ter sido uma bomba. mas quando o sinto como se ainda estivesse presa dentro de mim. só preciso esquecer certas cicatrizes que me engole seco e voltar à rotina frenética. não ser qualquer tipo de gente e como semi-deus, ser intocável aos dias de parto difícil. mesmo estando sempre farta. ser uma semi-deusa para engolir meu fardo.
Bem nesse dia, com muitas coisas pra fazer e nada feito, penso. Penso quando deveria estar terminando a conclusão do trabalho de oftalmo. Penso quando deveria estar estudando piolho. E ao invés de digitar meus afazeres, digito meus pensamentos. Como se não bastasse todos meus erros, continuo errando com essa consciência de que não deveria errar.
Fiz e faço torto. Este não é o melhor de mim. Mas como levar a diante as obrigações quando se tem um coração pendente? Como seguir ladeira à cima, quando meu próprio peso de ser me carrega pra baixo seguindo a lógica da gravidade?
Fazer medicina com um coração que sente e sabe que sente demais não é a opção mais fácil de ser feliz. Então, com um quê de revolta, começo a entender os semi-deuses. São só vestes. uma fantasia para lidar com os fatos. de semi-deusa, não me visto. embora fosse uma boa alternativa. não me visto porque sou fraca e fantasias demandam forças, porque são mais pesos.
Apenas queria minha mãe por perto com seu cheiro de hidratante da natura, me trazendo um chá de erva-cidreira e me dando os conselhos que nunca se encaixam. Apenas queria um tempo para me recompor e tentar ser mais forte, mas daqui uma hora minha vida recomeça. E não tenho tempo para me consertar. Meus problemas serão os néfrons.
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