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preferia ter medo do desdém do que da morte e por isso era tão cabeçuda. Se enfiava em tudo que era desconforto pra tentar nunca deixar a vida lhe levar, por isso os sôfregos passos. Às vezes, em vez de fazer tutoria, ficava ouvindo Pink Floyd, espalhada na cama, deixando seu corpo sumir entre travesseiros e edredon. Pensava na vida. Amargava-se um pouco. E depois de chorar umas três músicas, lia na xérox o carcinoma epitelial de grandes células do pulmão. Puta que pariu, como que pode o câncer. Pensava. Seu celular apitava sem parar de mensagens. Nenhuma pra ela, eram os grupos do whatsapp falando asneiras como sempre. E eu? Pensava enquanto ignorava as mensagens. Quando foi ler o adenocarcinoma sentiu medo. "Fumantes esporádicas, mulher", viu no fator de risco. Vou morrer de câncer. Pensou. Não, nunca. Falo tudo que penso e esse é meu maior defeito. Não tenho medo de ser e o câncer não cabe em quem é demais. Já eram 15:13h e tinha que passar chapinha pra ir pra faculdade. Deu um salto da cama e ligou a tevê passando o Cravo e a Rosa. Adoro o cabelo da Catarina, pensava enquanto alisava o seu. Sentia preguiça de ter que enfrentar a vida. Olhava pra seus desenhos tortos pendurados na parede e lembrava de sua amiga chorona no recreio da oitava série. Ela virou uma mulher tão linda e forte, pensava. Desligou a tevê e foi arrastada pra tutoria. Deveria ter estudado mais, mas eram muitos devaneios.
preferia ter medo do desdém do que da morte e por isso era tão cabeçuda. Se enfiava em tudo que era desconforto pra tentar nunca deixar a vida lhe levar, por isso os sôfregos passos. Às vezes, em vez de fazer tutoria, ficava ouvindo Pink Floyd, espalhada na cama, deixando seu corpo sumir entre travesseiros e edredon. Pensava na vida. Amargava-se um pouco. E depois de chorar umas três músicas, lia na xérox o carcinoma epitelial de grandes células do pulmão. Puta que pariu, como que pode o câncer. Pensava. Seu celular apitava sem parar de mensagens. Nenhuma pra ela, eram os grupos do whatsapp falando asneiras como sempre. E eu? Pensava enquanto ignorava as mensagens. Quando foi ler o adenocarcinoma sentiu medo. "Fumantes esporádicas, mulher", viu no fator de risco. Vou morrer de câncer. Pensou. Não, nunca. Falo tudo que penso e esse é meu maior defeito. Não tenho medo de ser e o câncer não cabe em quem é demais. Já eram 15:13h e tinha que passar chapinha pra ir pra faculdade. Deu um salto da cama e ligou a tevê passando o Cravo e a Rosa. Adoro o cabelo da Catarina, pensava enquanto alisava o seu. Sentia preguiça de ter que enfrentar a vida. Olhava pra seus desenhos tortos pendurados na parede e lembrava de sua amiga chorona no recreio da oitava série. Ela virou uma mulher tão linda e forte, pensava. Desligou a tevê e foi arrastada pra tutoria. Deveria ter estudado mais, mas eram muitos devaneios.
2 comentários:
Muito top Luna!! Curti demais!! Continue escrevendo!! Parabens!!
jack lindo, muito obrigada pelo apoio! <3
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